Existem respostas consolidadas sobre isso, e elas cobrem parte da pergunta. O que elas não fazem é responder pela sua empresa.

O que já está resolvido
A busca alcança quem já está procurando você. As redes alcançam quem ainda não sabe que precisa da sua marca.
Google Ads, GEO e SEO só funcionam se alguém digita o nome do seu problema numa caixa de busca ou num chat. Se ninguém digita, nenhuma verba inventa essa demanda. A Meta faz o contrário: coloca você na frente de pessoas que nunca pensaram no assunto. Um negócio novo ou uma categoria pouco conhecida costuma começar pelas redes. Uma categoria que as pessoas já buscam costuma começar pela busca.
Marca e venda direta dão retorno em tempos diferentes.
Estudos com centenas de campanhas mostram que algo entre 45% e 60% do investimento precisa ir para construção de marca, e o resto para conversão imediata. A divisão exata varia de negócio para negócio. O que não varia: cobrar de um investimento em marca o mesmo resultado semanal que você cobra de uma campanha de vendas vai fazer você desligar as coisas erradas.
O relatório infla o que ia acontecer de qualquer jeito.
O eBay fez um teste em 2014. Desligou os próprios anúncios que apareciam quando alguém buscava “eBay” no Google. A receita quase não mudou. Aquelas pessoas já iam comprar, e o anúncio apareceu no caminho para ficar com o crédito.
O mesmo acontece na sua empresa. Parte do que aparece como performance da campanha é receita que chegaria sem ela. Descobrir quanto exige desligar coisas e medir, não pedir um relatório.
O canal é a última coisa a decidir.
Antes dele vêm seis perguntas que você já consegue responder sobre o seu negócio, mesmo que nunca tenha reunido as respostas num lugar só.
As seis perguntas
Quanto tempo passa entre alguém conhecer você e pagar você?
Se são quatro dias, dá para ler uma campanha em duas semanas. Se são três meses, com uma reunião e uma proposta no meio, o que você gastou em janeiro só vira receita em abril. Mudar de rota antes disso é decidir no escuro.
Quanto do seu preço pode ir para conquistar um cliente?
Não o preço de venda. O que sobra depois do custo, considerando se o cliente compra uma vez ou volta. Sem esse número, 150 € e 600 € por cliente novo parecem igualmente caros ou igualmente baratos.
Quem fecha a venda: o site ou uma pessoa?
Se há um vendedor envolvido, o canal entrega conversas, não vendas. Por isso a qualidade do que chega importa mais do que o volume.
Alguém está buscando o que você vende?
Volume real de busca na sua categoria, não a sua impressão sobre ele. Se é baixo, a busca vira defesa de marca e você precisa de outro motor para crescer.
O que você já rodou e o que aprendeu com isso?
Quase toda empresa tem um histórico. Poucas têm uma leitura dele. Os dados ficam ali e ninguém os transforma em decisão.
O que você consegue melhorar de verdade nos próximos noventa dias?
Essa é a pergunta que ninguém faz, e ela decide mais do que as outras cinco.
Todo canal precisa de um destino. Google Ads e SEO levam as pessoas para o seu site. Se o site é lento, não explica o que você vende ou não oferece um caminho claro para entrar em contato, você está pagando para levar gente até uma porta emperrada. O SEO depende disso ainda mais: não existe SEO sem alguém que consiga publicar, reestruturar e corrigir páginas com frequência. Se o seu site depende de um fornecedor que some por três semanas, esse canal não está disponível para você, por maior que seja o volume de busca da sua categoria.
A Meta joga com outras cartas. A maior parte da experiência acontece dentro da plataforma: o criativo, o perfil, a DM, o formulário. O peso sai do seu site e vai para o seu criativo. E, dependendo da campanha, a Meta faz muito mais do que apresentar você a quem não te conhece. Ela leva essas pessoas até a venda dentro do próprio ambiente.
Então, antes de escolher: o que você consegue melhorar de verdade neste trimestre? O seu site, o seu criativo ou nenhum dos dois?
Se é o site, a busca vira uma opção real. Se é o criativo, as redes carregam mais peso. Se não é nenhum, o melhor investimento não é mídia. É destravar um dos dois primeiro, e isso custa menos do que três meses de campanha empurrando gente para uma experiência que não converte.
É por isso que “invista no Google” pode ser certo e péssimo ao mesmo tempo. Certo para a categoria, péssimo para quem não consegue mexer no próprio site.
O erro caro não é escolher errado. É escolher sem entender o que você está fazendo.
A estrutura por trás da escolha
Você começou pelo canal. Antes dele vinha a estratégia, e antes da estratégia, a estrutura que sustenta as duas: o que você vai medir, com que frequência e quem olha.
Sem isso, a decisão certa de janeiro vira a errada em julho e ninguém percebe. O canal continua rodando, a fatura continua chegando, e a última vez que alguém leu direito foi no dia em que a campanha entrou no ar.
A solução não é mais uma ferramenta. É uma pessoa com nome responsável por olhar:
- Toda semana: quanto custou conquistar um cliente por canal e o que mudou desde a semana anterior.
- Todo mês: esse custo contra o que sobra de cada venda, e a qualidade do que entrou, não só o volume.
- Todo trimestre: um teste de verdade. Desligue um canal numa região ou por um período e veja o que cai.
- Uma vez por ano: as seis perguntas de novo. Se alguma resposta mudou, toda a divisão volta para a mesa.
A conta que ninguém faz
Uma empresa investe 5.000 € por mês em marketing. Em doze meses, são 60.000 €.
Gerou receita. Tem um histórico. Longe de ser dinheiro jogado fora.
O problema aparece no planejamento do ano seguinte. Ninguém consegue explicar o que funcionou, por que, ou o que teria acontecido sem aquele canal. Então a decisão de janeiro é tomada com exatamente a mesma informação de doze meses antes.
O aprendizado que esses 60.000 € deveriam ter comprado continua à venda. E vai ser cobrado de novo no ano que vem, e no seguinte.
O custo real não é o valor investido. É o número de vezes que você paga pela mesma informação sem nunca recebê-la.
O que fazer na segunda-feira
Pergunte três coisas a quem cuida do seu marketing, seja time interno ou agência:
- Quanto custou conquistar um cliente por canal nos últimos seis meses, e quanto sobra de cada um desses clientes.
- Qual canal nunca foi testado sendo desligado, e por quê.
- O que sabemos hoje que não sabíamos há um ano.
A terceira dói. Se ninguém consegue responder, o problema não é o canal que você escolheu. É tratar marketing como despesa recorrente em vez de decisão de negócio.
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